Silêncio
RAUL RODRIGUES Estudante
29/11/2022 - 16:19Em uma calma noite, apenas com o som dos pensamentos, das folhas das árvores ao vento, da água escorrendo, dos carros passando se ouve aquele som, o estouro que ensurdece até os pensamentos, que cessa qualquer discurso, que interrompe o sonho, desfaz o sorriso, que é sufocante, amedrontador e o som da bala passa e ricocheteia, em volta das paredes da mente perfura tudo que encosta, deixa ferida, deixa sangramento, dor, miséria, pobreza, pânico, fome, e que em explosões destrói tudo que toca.
E sempre com diálogos que cortam e ferem a alma, com ideias gananciosas e arrogantes, com dominância, com ódio, acompanhados do fedor do que há de mais podre e mais fútil, traz o medo, o medo de viver e o medo de morrer. Como se escapa se não há saída?
Então como será que continuarei? Perguntam se é o último dia, se é o último suspiro, se a última esperança de fugir para longe é agora, esperança para assegurar que está tudo bem, de ter um colo para deitar-se, um abraço para aconchegar, família para se amar. "Será que após cruzar esse mar posso recuperar tudo? ”, eles se perguntam e lamentam. Até onde preciso ir e abandonar tudo para me garantir vivo? E a dor é se perguntar até onde se deve deixar sua história para não sofrer mais.