Sair do armário, uma montanha russa de emoções
Uma crônica sobre a minha história saindo do armário
Por Giovana Rossi em 23 de Novembro, 2022
Bem, comecemos com a pergunta que não quer calar, por que eu não recomendo sair do armário? Pelo simples motivo de não ser tão necessário, as pessoas não têm que saber qual a sua sexualidade, elas só vão te incomodar com perguntas desnecessárias e sem sentido na maioria das vezes. Mas e o gênero? Este já é outro assunto, todos não precisam saber precisamente o que você é, apenas como quer ser chamado.
Mas voltando ao assunto principal, irei lhes contar de como eu saí do armário para algumas pessoas:
Aconteceu há aproximadamente dois anos atras, no meio das minhas férias de verão, eu estava tendo várias conversas e discussões com a minha psicóloga da época, e decidi que queria me assumir para algumas pessoas. Minhas amigas foram as primeiras, apenas mandei uma mensagem no nosso grupo falando “Hey, eu sou bi”, foi ótimo, elas me encorajaram e ficaram felizes, o acontecimento foi como um mar de rosas.
Depois de toda a comemoração, decidi me assumir para a mãe de uma delas, fizemos até mesmo uma chamada de vídeo, eu estava bem nervoso, por mensagem é fácil, já cara-a-cara é mais complicado, mesmo que saibamos o que essa pessoa vá falar, ainda é uma surpresa toda a vez.
Demorou meses para mim me assumir para outra pessoa, que foi a minha irmã “emprestada”, filha do namorado da minha mãe. Eu contei para ela como eu ainda estava em conflito porque não senti que estava certo, faltava alguma coisa, mas não sabia o que era. Nós conversamos e vimos um filme com gays para aliviar o clima.
Já o meu maior desafio, a minha mãe. Resumindo a história, foi de mal a pior rapidamente. Conhece o clássico? “Eu sou sua mãe e sei que você não é”, bem, acho que ela não sabe muito sobre mim então, pois ainda sou extremamente gay, apenas achei a sexualidade que mais combinava comigo.
Após esse trauma maravilhoso, demorou quase um ano para eu decidir que queria me assumir para a minha Dinda, porque ela era um pouco... Extremista nas suas opiniões, mas consegui, aos poucos e com muita luta, fazê-la entender de que a vida era diferente do que ela estava acostumada, que os tempos mudaram, as pessoas não se escondem mais. Recebi o apoio dela que não ganhei da minha mãe, o peso que me atormentava diminuiu de maneira significativa.
Esse ano, eu finalmente me senti mais livre, sem o peso gigantesco nas minhas costas, eu decidi que sairia para pessoas apenas se elas me perguntassem, é muito mais simples do que pegar uma pessoa de cada vez para contar. Não é estritamente necessário sair do armário para todos que conheço, eles apenas têm que saber que gosto de pessoas, isso já é o suficiente.
Porém, cada caso é diferente, as suas experiencias não devem ser obrigatoriamente ruins, a maioria das minhas foram boas, é diferente para cada situação, cada pessoa tem uma história diferente para contar. Mas, essa é a minha.
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